analistas .com.br
Mercados

Uber e Delivery Hero: acordo de € 12,5 bi pode sair nesta quinta

Uber negocia a compra da Delivery Hero por € 12,5 bilhões, cerca de € 41 por ação, com anúncio previsto para quinta. Entenda a jogada contra a DoorDash.

Ativos citados
MU
Por Fundador e Editor-chefe
Publicado em Atualizado às 21:10 de hoje
Colagem mostra entregador com mochila térmica em uma rua urbana, aperto de mãos simbolizando acordo empresarial e celular com aplicativo de delivery, ao lado de gráficos de crescimento.

A dona do Uber Eats está a um passo de engolir a gigante alemã do delivery numa operação de cerca de R$ 73 bilhões. O anúncio pode sair já nesta quinta-feira (16).

A Uber está prestes a fechar a compra da Delivery Hero, dona de marcas como Talabat, Baemin e HungerStation, em uma transação que avalia a empresa alemã em cerca de € 12,5 bilhões (US$ 14,34 bilhões, ou aproximadamente R$ 73 bilhões). Segundo apuração do Financial Times, o preço combinado gira em torno de € 41 por ação, e o anúncio pode acontecer já nesta quinta-feira (16).

A Delivery Hero confirmou na terça-feira (14) que está em negociações avançadas com a Uber sobre uma possível oferta de aquisição. Os termos finais e o calendário, porém, ainda não estão fechados e podem mudar.

Por que a Uber quer pagar tudo isso?

Uma palavra: DoorDash. A rival americana lidera com folga o mercado dos EUA, com cerca de 65% de participação contra aproximadamente 23% do Uber Eats, e vem avançando na Europa — comprou a britânica Deliveroo por £ 2,9 bilhões no ano passado.

Comprar a Delivery Hero entrega à Uber, de uma tacada só, uma operação internacional pronta: presença forte na Europa, no Oriente Médio (Talabat e a saudita HungerStation), na Ásia (o sul-coreano Baemin) e cerca de 800 centros de distribuição rápida, os chamados Dmarts, usados no quick commerce de mercado e conveniência.

É mais um capítulo da consolidação global do setor, que já viu a Prosus comprar a Just Eat Takeaway por € 4,1 bilhões. O apetite por fusões, aliás, tem sido combustível para os bancos: o JPMorgan acaba de reportar lucro recorde de US$ 21,2 bilhões, turbinado justamente por fusões e aquisições.

A jogada para escapar dos reguladores

O desenho da operação tem um detalhe engenhoso. De acordo com as informações obtidas pelo Financial Times, a Delivery Hero deve vender a operação turca Yemeksepeti e algumas unidades europeias para uma gestora de investimentos americana, reduzindo a sobreposição geográfica com a Uber e o risco de veto por concorrência.

Os pontos sensíveis na Europa são Polônia, Portugal, Espanha e Suécia, onde as duas empresas se cruzam. A Uber também já pausou o lançamento do delivery em cinco novos mercados europeus onde a Delivery Hero opera, incluindo Áustria, Noruega e Grécia.

Outro movimento discreto chama atenção: a Uber controla 24,99% dos direitos de voto da Delivery Hero. O número não é acidental. Ele deixa a empresa logo abaixo do limite que dispararia uma revisão de investimento estrangeiro pelo governo alemão, e ao mesmo tempo dificulta a vida de eventuais concorrentes na disputa.

Uma novela que começou em maio

A conversa não é de ontem. Veja a linha do tempo:

  • Abril de 2026: a Uber compra € 270 milhões em ações da Delivery Hero que pertenciam à Prosus, braço de investimentos da sul-africana Naspers
  • Maio de 2026: o CEO Dara Khosrowshahi procura o conselho com uma proposta de € 33 por ação, avaliando a empresa em cerca de € 10 bilhões
  • Julho de 2026: o preço sobe para a faixa de € 41 por ação, e o valor total chega aos € 12,5 bilhões

A Delivery Hero chega à mesa em momento delicado. O fundador e CEO Niklas Östberg anunciou que deixa o comando até março de 2027, depois de anos de críticas de acionistas, enquanto a gestora ativista Aspex Management pressionava a companhia a enxugar operações, acelerar a venda de ativos e trocar a liderança.

O que isso tem a ver com o Brasil?

Pouco e muito ao mesmo tempo. A Delivery Hero não opera no Brasil e o Uber Eats encerrou a entrega de restaurantes por aqui em 2022, deixando o campo para o iFood — que, por coincidência nada pequena, pertence justamente à Prosus, a mesma que vendeu sua fatia da Delivery Hero para a Uber neste ano.

Para o investidor brasileiro, a exposição é indireta: pela BDR da Uber negociada na B3 ou por fundos e ETFs com ações americanas. No ano, as ações da Uber acumulam queda de cerca de 11%, enquanto as da DoorDash recuam perto de 17%.

O que fica no radar

O anúncio formal pode sair nesta quinta-feira (16), mas o mais importante virá depois: a estrutura de financiamento, ou seja, se a Uber vai pagar em dinheiro, em ações ou numa combinação dos dois. Em seguida, entra em cena o crivo das autoridades de concorrência europeias, que historicamente olham com desconfiança para negócios que reduzem a competição em mercados de consumo. Exigências de venda de marcas ou de saída de países podem mudar a conta final.

Com informações do Financial Times, da Reuters e da Bloomberg.

MU
Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

Ver todas as matérias de Muniz →

Leia também

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda. Seja o primeiro a comentar!

Deixe um comentário