As vendas do varejo brasileiro caíram 0,8% em julho na comparação com junho, já descontados os efeitos sazonais, informou o IBGE nesta terça-feira, 15 de setembro. O recuo foi mais intenso que a mediana de queda de 0,3% projetada por analistas ouvidos pelo Broadcast e interrompeu o avanço observado no mês anterior.
O resultado chega na véspera das decisões de juros do Banco Central e do Federal Reserve. A combinação entre atividade, inflação e crédito estará no centro da Superquarta, que pode trazer corte da Selic e decisão do Fed.
Quais setores mais caíram em julho
Cinco das oito atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram queda. Móveis e eletrodomésticos recuaram 4,9%, enquanto livros, jornais, revistas e papelaria caíram 4,2%. Tecidos, vestuário e calçados perderam 2,7%, outros artigos de uso pessoal e doméstico recuaram 2,2% e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram baixa de 0,2%.
Na direção contrária, artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria avançaram 0,6%. Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação também cresceram 0,6%, enquanto combustíveis e lubrificantes subiram 0,3%.
Comparação anual ainda mostra crescimento
Contra julho de 2025, o volume vendido pelo varejo aumentou 1,2%. No acumulado de janeiro a julho, a alta foi de 1,8%, e o avanço em 12 meses ficou em 1,2%. A média móvel trimestral, porém, recuou 0,1%, sinalizando perda de fôlego na margem.
O nível de vendas permanece 10,6% acima de fevereiro de 2020, antes da pandemia, mas está 1,5% abaixo do recorde alcançado em março de 2026. O comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de alimentos, cresceu 0,4% ante junho e 1,8% frente a julho do ano passado.
O que o dado significa para ações do varejo
O indicador ajuda a medir o ambiente de consumo enfrentado por empresas listadas, mas não permite concluir sozinho como foi o desempenho individual de companhias como Magazine Luiza (MGLU3), Casas Bahia (BHIA3), Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Assaí (ASAI3), Grupo Mateus (GMAT3) e Pão de Açúcar (PCAR3).
Cada empresa tem exposição distinta a categorias, regiões, canais digitais, crédito e estrutura de custos. Balanços e comunicados corporativos continuam sendo as fontes adequadas para avaliar resultados específicos. A agenda econômica da semana também inclui o IBC-Br e as decisões de juros, que podem alterar a leitura sobre atividade e consumo.
Por que o varejo perdeu força
A pesquisa do IBGE mede o volume de vendas e não atribui o resultado a uma única causa. Juros elevados encarecem o crédito e tendem a pesar principalmente sobre bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos. Renda, emprego, inflação e calendário promocional também influenciam o comportamento mensal.
O recuo de julho deve ser analisado em conjunto com os próximos indicadores. Uma leitura isolada não define tendência nem constitui indicação de compra ou venda de ações.