A dona da Vivo vai distribuir meio bilhão aos acionistas. Quem estiver posicionado até o dia 27 tem direito. O detalhe que muita gente não lê: o dinheiro só cai em 2027.
O conselho de administração da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, aprovou nesta quinta-feira (16) a distribuição de R$ 500 milhões em juros sobre capital próprio (JCP). A decisão tomou como base o balanço patrimonial de 30 de junho de 2026.
Os números que interessam ao acionista:
Valor
Montante bruto
R$ 500 milhões
Bruto por ação
R$ 0,15646482856
Líquido estimado
R$ 412,5 milhões
Líquido por ação
R$ 0,12908348356
Data-com
27 de julho de 2026
Pagamento
até 30 de abril de 2027
Até quando dá para comprar
Terão direito ao provento os acionistas posicionados ao final do pregão de 27 de julho de 2026, uma segunda-feira. A partir do dia seguinte, as ações passam a ser negociadas na condição "ex-juros", ou seja, sem direito ao pagamento — e a cotação tende a sofrer um ajuste equivalente ao valor destinado aos acionistas.
Na prática, quem quiser receber precisa ter o papel em carteira ao fim daquele pregão. Quem comprar depois pega a ação potencialmente mais barata, mas sem o provento.
A pegadinha do calendário
Aqui está o ponto que costuma passar batido. O anúncio é de julho de 2026, mas a Telefônica informou que o pagamento será realizado até 30 de abril de 2027, em data que ainda será definida pela diretoria.
Ou seja: entre garantir o direito e ver o dinheiro na conta podem se passar mais de nove meses. Não é irregularidade nenhuma, é o padrão da companhia — a empresa declara o JCP ao longo do ano, aproveita o benefício fiscal e concentra o pagamento no prazo legal do exercício seguinte. Mas quem compra a ação contando com o caixa no mês seguinte se decepciona.
O IR que mudou e quase ninguém percebeu
A retenção informada pela companhia é de 17,5% de Imposto de Renda na fonte, e não os 15% que muita gente ainda tem na cabeça como regra do JCP. É por isso que os R$ 500 milhões brutos viram R$ 412,5 milhões líquidos.
A própria Telefônica ressalva que a tributação pode variar para acionistas sujeitos a tratados internacionais, imunidades, isenções tributárias ou regimes fiscais diferenciados.
Vale lembrar que o valor por ação ainda pode ser ajustado caso haja mudanças na base acionária, por conta do programa de recompra de ações em andamento.
Por que a empresa prefere JCP a dividendo
O juros sobre capital próprio não é um dividendo com outro nome. Para a companhia, o JCP pode ser deduzido como despesa financeira, reduzindo a base de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL. É uma remuneração fiscalmente mais eficiente para quem paga.
Para o investidor, a conta se inverte: o dividendo tradicional chega isento na pessoa física, enquanto o JCP vem com a retenção na fonte. Daí a diferença entre o valor anunciado na manchete e o que efetivamente entra na conta.
O que fica no radar
A próxima data a marcar é 27 de julho, o último pregão com direito ao provento. Depois disso, o assunto some do calendário do investidor até a diretoria definir a data efetiva de pagamento, que pode ficar para qualquer momento antes de 30 de abril de 2027. Acompanhe a cotação de VIVT3 e o fechamento do mercado para acompanhar o ajuste da ação na data-ex.