A fabricante brasileira revisou para cima suas metas do ano: o fluxo de caixa livre deve dobrar e a margem de lucro sobe. Somado a um trimestre recorde, o anúncio fez as ações dispararem e reforça a visão da Embraer como uma gigante aeroespacial global.
A Embraer (EMBR3) deu mais um motivo para os investidores comemorarem. Na segunda-feira (10), a fabricante brasileira de aviões revisou para cima parte de suas projeções financeiras (o chamado guidance) para 2026, e o mercado respondeu na hora: as ações chegaram a subir quase 10% no início do pregão da B3, antes de fechar em alta de 2,3%. Na Bolsa de Nova York, os recibos (ADRs) tiveram pico de valorização de 8%.
O otimismo veio acompanhado de um balanço trimestral recorde, divulgado no mesmo dia. Juntos, os dois anúncios pintaram o retrato de uma empresa em plena ascensão.
O que mudou nas projeções?
A revisão do guidance é o coração da boa notícia. O destaque ficou para a geração de caixa: a Embraer agora espera que seu fluxo de caixa livre (o dinheiro que efetivamente sobra no bolso da empresa depois de pagar as contas e investir) mais do que dobre, saltando da previsão anterior de "US$ 200 milhões ou mais" para "US$ 400 milhões ou mais".
A companhia também elevou a projeção de margem Ebit, um indicador de quanto ela lucra em cada operação, de uma faixa de 8,7% a 9,3% para 10% a 10,6%. A previsão de receita, entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, e as metas de entrega de aviões foram mantidas. Em resumo: a Embraer projeta ganhar mais e gerar mais caixa com praticamente a mesma receita, sinal de uma operação mais eficiente e rentável.
Um trimestre recorde
Os números do segundo trimestre explicam a confiança. O lucro líquido alcançou R$ 1,11 bilhão, um crescimento de 25% em um ano, enquanto a receita líquida subiu 10,4%, para R$ 11,3 bilhões. A geração de caixa medida pelo Ebitda avançou mais de 30%, e a margem saltou de 13,5% para 16%.
Nas entregas, a empresa emplacou 65 aeronaves no trimestre, um salto de 48% em relação ao trimestre anterior. Segundo o presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, foi a maior receita para um segundo trimestre da história e o maior volume de entregas para o período em 16 anos.
A carteira de pedidos que não para de bater recordes
O combustível para esse crescimento está na carteira de pedidos (o backlog), que atingiu a marca recorde de US$ 34,5 bilhões, o sétimo trimestre consecutivo de máxima histórica. O destaque foi a área de defesa, com alta de 42% nos pedidos.
Essa carteira robusta é resultado de uma sequência de vitórias comerciais que temos acompanhado, como o recorde histórico de pedidos que garante receita até 2030, o primeiro pedido da LATAM, com 24 jatos, e o recente financiamento do BNDES para exportar aviões ao Canadá. Cada novo contrato ajuda a dar previsibilidade de receita para os próximos anos.
De indústria brasileira a aeroespacial global
Por trás da forte valorização das ações há uma mudança de percepção. Segundo análise da XP, os investidores passaram a enxergar a Embraer cada vez mais como uma empresa aeroespacial global, e não apenas como uma companhia industrial brasileira. Essa nova imagem ajuda a justificar preços mais altos para a ação.
Para os analistas, todas as divisões da empresa já operam com melhora de rentabilidade, e o grande desafio até 2030 será executar bem esse plano, ou seja, transformar a gigantesca carteira de pedidos em receita e lucro de verdade.
O que fica no radar
Com as ações acumulando alta de mais de 20% em 12 meses e um valor de mercado que já beira os R$ 70 bilhões, a Embraer vive um de seus melhores momentos. A execução das entregas e a manutenção das margens serão os pontos a acompanhar nos próximos trimestres.
Para o investidor de EMBR3, a mensagem da empresa é de confiança: ao elevar as próprias metas, a Embraer sinaliza que acredita no seu voo de cruzeiro. Resta agora entregar o que prometeu. Vale lembrar que este texto é informativo e não constitui recomendação de investimento.