Os ETFs ganharam 223 mil investidores pessoas físicas em 12 meses e alcançaram 862 mil CPFs na B3 no primeiro semestre de 2026. Os dados divulgados nesta quinta-feira (17) mostram que os fundos de índice vêm ocupando mais espaço nas carteiras dos brasileiros.
No mesmo período, o número total de pessoas físicas na renda variável passou de 5,5 milhões, em dezembro de 2025, para 5,7 milhões ao fim do segundo trimestre de 2026. O avanço dos ETFs, portanto, ocorreu em ritmo superior ao crescimento geral da base de investidores.
A B3 também superou a marca de 200 ETFs listados. Eram 204 produtos em junho, com estratégias que acompanham índices de ações brasileiras, mercados internacionais, renda fixa, commodities e outros segmentos.
Por que os ETFs cresceram
ETF é a sigla em inglês para fundo negociado em bolsa. Em vez de comprar separadamente todos os ativos de uma carteira, o investidor adquire uma cota que busca acompanhar um índice ou uma estratégia definida no regulamento.
Essa estrutura facilita a diversificação com uma única negociação. O aumento do número de produtos também ampliou as possibilidades de exposição a mercados estrangeiros e a classes que antes exigiam operações mais complexas.
O crescimento aparece em um mercado que já reúne R$ 9,1 trilhões aplicados por brasileiros, conforme o levantamento detalhado na reportagem sobre a evolução dos investimentos no primeiro semestre de 2026.
Negociação também aumentou
O volume financeiro médio diário dos ETFs chegou a R$ 1,85 bilhão no primeiro semestre de 2026, alta de 16% sobre os R$ 1,59 bilhão registrados no mesmo período de 2025.
Em junho, o BOVA11, que busca acompanhar o Ibovespa, foi o ETF mais negociado, com média diária de R$ 530,2 milhões. O valor correspondeu a 35,8% do volume da categoria naquele mês.
Os números mostram maior atividade, mas liquidez varia entre produtos. Um ETF com pouco volume pode apresentar diferença maior entre os preços de compra e venda, fator que precisa ser observado junto com taxa de administração e aderência ao índice.
O que muda com mais produtos
A expansão do mercado também abriu discussão sobre ETFs com gestão mais flexível. A Comissão de Valores Mobiliários analisa mudanças regulatórias, tema explicado na matéria sobre o que pode mudar se a CVM liberar ETFs de gestão ativa.
Hoje, a maior parte dos produtos tem como objetivo reproduzir o desempenho de uma referência. O resultado da cota, no entanto, pode ficar um pouco acima ou abaixo do índice por causa de custos, impostos, rebalanceamentos e eficiência operacional. Essa diferença é conhecida como erro de aderência.
ETF não elimina risco
A diversificação reduz a dependência de um único ativo, mas não impede perdas. Um ETF de ações acompanha a oscilação do mercado; um produto internacional pode sofrer com câmbio; e fundos de renda fixa também respondem a juros, crédito e duração dos títulos.
Antes de investir, é necessário verificar qual índice o fundo segue, a composição da carteira, as taxas, a liquidez, o tratamento tributário e o prazo pretendido. O crescimento para 862 mil investidores demonstra popularização, não garantia de rentabilidade.
Esta reportagem tem finalidade informativa e não constitui recomendação de investimento.