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Por que Buffett cortou a Fundação Gates das suas doações bilionárias?

Buffett detalha plano para doar seus US$ 140 bilhões na Berkshire até 2034 e, pela primeira vez em 20 anos, deixa a Fundação Gates fora da lista.

MU
Por Fundador e Editor-chefe
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Buffett anuncia plano para doar toda a sua fatia na Berkshire até 2034

Aos 95 anos, o megainvestidor detalhou como pretende se desfazer de toda a sua fatia na Berkshire Hathaway. A surpresa ficou por conta de quem não está na lista: pela primeira vez em duas décadas, a Fundação Gates ficou de fora, em meio ao escândalo Epstein.

Warren Buffett anunciou nesta terça-feira (14) o plano para dar fim à sua fortuna. O presidente do conselho da Berkshire Hathaway, que completa 96 anos no mês que vem, afirmou que pretende se desfazer de toda a sua participação na empresa, avaliada em cerca de US$ 140 bilhões, em aproximadamente oito anos. O prazo final que ele estipulou é 31 de dezembro de 2034.

Para dar o primeiro passo, Buffett converteu 8 mil ações classe A em 12 milhões de ações classe B e as distribuiu entre quatro fundações. Três delas são comandadas por seus filhos: a Sherwood Foundation, a Howard G. Buffett Foundation e a NoVo Foundation, que receberam 1 milhão de ações cada. A quarta, a Susan Thompson Buffett Foundation, batizada em homenagem à sua falecida esposa, ficou com 9 milhões de ações. Somadas, as doações desta rodada chegam a quase US$ 6 bilhões.

A ausência que virou notícia

O nome que faltou na lista pesa mais que os presentes. Pela primeira vez em duas décadas, Buffett não fez sua doação de meio de ano à Fundação Gates, e a instituição também não aparece entre as que receberão recursos daqui para frente.

O contexto explica muita coisa. Documentos divulgados neste ano pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos reacenderam o escrutínio sobre as ligações de Bill Gates com Jeffrey Epstein. No começo deste mês, o Wall Street Journal noticiou que Buffett estava segurando o repasse programado enquanto um escritório de advocacia revisava os vínculos da instituição com o caso, com resultado esperado para este verão americano. Gates, por sua vez, declarou ao Congresso americano que a relação foi um erro grave.

A parceria entre os dois bilionários já vinha desgastada. Em 2006, Buffett se comprometeu formalmente a fazer doações anuais à Fundação Gates enquanto Bill ou Melinda continuassem vivos e atuantes na condução da entidade. As primeiras rachaduras apareceram em 2021, quando Buffett renunciou ao conselho da fundação, dois meses depois de o casal anunciar o divórcio.

A matemática por trás da promessa

Os números ajudam a dimensionar o tamanho do compromisso. Para zerar uma posição de US$ 140 bilhões até o fim de 2034, e sem nem considerar uma eventual valorização das ações da Berkshire no período, Buffett precisaria doar pelo menos US$ 17 bilhões por ano. É mais que o dobro dos cerca de US$ 7 bilhões que ele destinou no ano passado.

Atualmente, o investidor ainda detém 188.290 ações classe A e 1.162 ações classe B da Berkshire. Ele já havia sinalizado no ano passado que queria acelerar as doações justamente para facilitar a vida dos filhos na hora de administrar seu espólio. Ao comentar o plano, reconheceu que a mortalidade é imprevisível, mas garantiu que as ações restantes irão para as quatro fundações de um jeito ou de outro até a data marcada.

O que muda para quem investe na Berkshire

Antes que o investidor se assuste, vale um esclarecimento importante: doar não é o mesmo que vender. As ações mudam de mãos e passam para as fundações, que é que decidirão o que fazer com elas ao longo do tempo. Não se trata de Buffett despejando US$ 140 bilhões em papéis no mercado de uma vez.

Ainda assim, o movimento consolida uma transição que já estava em curso. Greg Abel assumiu o comando executivo da Berkshire no lugar de Buffett, e agora o próprio fundador desenha a saída da sua participação acionária. É o encerramento gradual de um dos capítulos mais longos da história do mercado financeiro, iniciado em 1965, quando ele assumiu o controle de uma combalida fábrica de tecidos.

No Brasil, quem quiser acompanhar de perto pode fazê-lo pela B3. A Berkshire é negociada por aqui através do BDR de código BERK34, que dá exposição ao desempenho da holding sem necessidade de conta no exterior. A empresa, vale lembrar, não costuma pagar dividendos, já que a política de Buffett sempre foi reter e reinvestir os lucros.

O que fica no radar

Buffett dá entrevista à CNBC nesta quarta-feira, em Omaha, o que deve render mais detalhes sobre o plano e, possivelmente, sobre o silêncio em relação à Fundação Gates. O resultado da revisão jurídica encomendada por ele é esperado para os próximos meses, e é o que vai definir se a parceria de duas décadas com Bill Gates termina de vez ou é retomada. Para o investidor, o que importa é que a sucessão na Berkshire segue em marcha, agora também no campo acionário.

MU
Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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