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São Martinho (SMTO3) já sobe 30% em agosto e XP eleva preço-alvo em 51%

SMTO3 já sobe cerca de 30% em agosto. XP elevou São Martinho para compra e aumentou preço-alvo de R$ 14,80 para R$ 22,40. Entenda a tese.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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São Martinho (SMTO3) sobe 30% em agosto e XP eleva alvo em 51%

Ações da produtora de açúcar e etanol voltam a subir nesta segunda-feira, enquanto XP muda recomendação de neutra para compra e eleva preço-alvo para R$ 22,40.

As ações da São Martinho (SMTO3) entraram de vez no radar da Bolsa brasileira nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026.

Depois de uma sequência de fortes altas, os papéis já acumulam aproximadamente 30% de valorização em agosto, impulsionados principalmente pela recuperação do preço do açúcar e pela expectativa de um cenário global de oferta mais apertada.

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A alta ganhou um novo combustível nesta segunda.

A XP Investimentos elevou a recomendação de SMTO3 de neutra para compra e aumentou seu preço-alvo de R$ 14,80 para R$ 22,40 por ação.

Trata-se de uma revisão de aproximadamente 51% no preço-alvo anterior.

Por volta das 10h59, SMTO3 era negociada a aproximadamente R$ 18,99, com alta de 3,15% no dia, segundo dados de mercado.

Por que SMTO3 está subindo tanto?

A principal explicação está fora da Bolsa.

Está no açúcar.

O mercado começou a revisar para cima suas expectativas para a commodity diante de sinais de que a oferta mundial pode ficar mais apertada.

Entre os fatores observados estão condições climáticas adversas em regiões produtoras da Ásia, problemas de seca em algumas áreas produtoras e uma perspectiva mais desafiadora para a moagem de cana-de-açúcar no Brasil.

Esse cenário pode reduzir a quantidade disponível no mercado internacional e sustentar preços mais elevados.

Para uma companhia como a São Martinho, isso é particularmente importante.

A empresa é uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do Brasil e, portanto, suas margens estão diretamente ligadas às condições dessas commodities.

XP passa a recomendar compra de SMTO3

A mudança de visão da XP foi significativa.

Até então, a corretora mantinha recomendação neutra para São Martinho e preço-alvo de R$ 14,80.

Agora, a recomendação passou para compra, com preço-alvo de R$ 22,40.

Segundo os analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva, a tese para São Martinho ficou mais favorável principalmente por causa de uma perspectiva melhor para o açúcar no curto e médio prazo.

No etanol, a visão da casa também se tornou mais construtiva no curto prazo.

O relatório da XP é uma análise de uma instituição financeira e não representa recomendação de investimento do Analistas.

De R$ 14 para quase R$ 19 em poucas semanas

A velocidade da valorização chama atenção.

SMTO3 terminou julho negociada na região de R$ 14,52.

Em 3 de agosto, fechou a R$ 14,38.

Depois disso, iniciou uma sequência de valorização especialmente forte na segunda metade do mês.

Alguns fechamentos ajudam a mostrar o movimento:

  • 17 de agosto: R$ 15,11;
  • 18 de agosto: R$ 15,90;
  • 19 de agosto: R$ 16,61;
  • 20 de agosto: R$ 17,80;
  • 21 de agosto: R$ 18,41.

Somente na sexta-feira, SMTO3 avançou 3,43%.

Nesta segunda, chegou à região dos R$ 19 durante o pregão.

Por isso, considerando o movimento de agosto até esta segunda-feira, a valorização já chega à casa dos 30%.

Açúcar virou o principal gatilho

A tese apresentada pela XP depende principalmente de uma mudança no balanço entre oferta e demanda do açúcar.

Uma produção abaixo das expectativas na Índia e dificuldades em algumas regiões produtoras ajudaram a mudar as projeções para a commodity.

No Brasil, a expectativa de uma moagem mais desafiadora também entra na conta.

Se menos cana estiver disponível para transformação em açúcar, a oferta mundial pode ficar mais apertada.

Em um cenário desse tipo, preços mais elevados tendem a favorecer empresas que conseguem manter boa produtividade e controlar seus custos.

É justamente aí que a São Martinho passa a ganhar destaque.

E o etanol?

O segundo componente importante da tese é o etanol.

A XP também está mais otimista com os fundamentos do biocombustível no curto prazo.

Existe uma relação interessante entre açúcar e etanol porque as usinas brasileiras podem direcionar uma parcela maior ou menor da cana para cada produto.

Se o açúcar estiver oferecendo preços mais atraentes, as empresas podem aumentar o chamado mix açucareiro.

Com mais cana destinada ao açúcar, menos matéria-prima fica disponível para produção de etanol.

Isso pode diminuir a oferta do combustível e, em determinadas condições, ajudar também seus preços.

O mercado brasileiro de etanol ganhou ainda mais relevância em 2026 após a mudança na mistura da gasolina. O Analistas mostrou como a gasolina E32 chegou aos postos com 32% de etanol anidro na composição.

A medida aumenta estruturalmente a participação do biocombustível no mercado brasileiro.

São Martinho e Raízen vivem momentos bem diferentes

O movimento também chama atenção quando comparado a outra gigante do setor sucroenergético.

Enquanto São Martinho vive uma forte valorização na Bolsa, a Raízen (RAIZ4) atravessa um profundo processo de reestruturação.

O Analistas mostrou recentemente que a Justiça aprovou o plano de recuperação da Raízen, considerado um dos maiores processos do tipo no país.

As empresas possuem estruturas financeiras e operacionais diferentes, portanto a comparação direta exige cautela.

Mesmo assim, os dois casos mostram algo importante: estar exposto às mesmas commodities não significa produzir o mesmo resultado para os acionistas.

Endividamento, produtividade, custos, estratégia comercial e estrutura de capital continuam fazendo enorme diferença.

El Niño ainda é o grande risco

Nem tudo na tese da São Martinho é positivo.

Um dos principais riscos destacados pela XP está no clima.

O possível impacto do El Niño pode prejudicar a produtividade dos canaviais do Centro-Sul do Brasil.

Menor produtividade significa menor volume de matéria-prima disponível para moagem.

Esse risco já apareceu em análises sobre a safra brasileira. O Analistas mostrou anteriormente que o El Niño passou a ser apontado como ameaça à safra 2026/27.

Existe, porém, uma espécie de efeito compensatório.

Se problemas climáticos reduzirem significativamente a produção de cana, açúcar e etanol podem ficar ainda mais escassos.

Isso poderia elevar seus preços.

Na prática, a companhia poderia produzir menos, mas vender cada unidade por um preço maior.

O resultado final dependeria da intensidade de cada movimento.

SMTO3 ainda tem potencial depois de subir 30%?

Essa passa a ser a principal pergunta.

Uma alta próxima de 30% em menos de um mês muda bastante o ponto de entrada de qualquer ativo.

Ainda assim, a XP considera que existe espaço para valorização.

O novo preço-alvo de R$ 22,40 fica acima da região de aproximadamente R$ 19 observada nesta segunda-feira.

Além disso, a corretora acredita que novas revisões positivas de resultados podem acontecer caso o cenário mais favorável para açúcar e etanol se confirme.

A XP estima que SMTO3 negocie a aproximadamente 8,6 vezes EV/Ebit considerando a safra 2027/28.

A corretora entende que ainda existe desconto no papel apesar da recente valorização.

Mas subir 30% também aumenta o risco

Existe o outro lado.

Uma ação que sobe rapidamente passa a incorporar parte das boas notícias no preço.

Isso significa que decepções também podem provocar correções mais fortes.

Entre os fatores que podem mudar a atual narrativa estão:

  1. queda inesperada do preço do açúcar;
  2. produtividade agrícola muito abaixo do esperado;
  3. deterioração dos preços do etanol;
  4. valorização cambial desfavorável à tese;
  5. El Niño mais severo;
  6. resultados operacionais abaixo das projeções.

Portanto, o fato de uma corretora elevar sua recomendação não elimina os riscos do ativo.

O que observar agora em SMTO3?

A São Martinho passou a ter três grandes variáveis para acompanhar.

A primeira é o preço internacional do açúcar.

A segunda é a evolução do etanol no Brasil.

A terceira é o clima no Centro-Sul, especialmente a produtividade da cana durante a safra.

Se o cenário projetado pela XP se confirmar, a combinação de açúcar valorizado, oferta mais apertada e fundamentos melhores para o etanol pode manter a companhia em posição favorável.

Mas SMTO3 já não é mais uma ação ignorada pelo mercado.

Depois de subir aproximadamente 30% em agosto, chegar perto dos R$ 19 e receber um aumento de 51% no preço-alvo da XP, a São Martinho virou uma das histórias mais quentes do agronegócio na Bolsa neste mês.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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