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Vivo (VIVT3) promete R$ 7 bi em proventos; balanço decepciona

A Vivo (VIVT3) lucrou R$ 1,6 bilhão no 2º trimestre, alta de 17%, mas a ação caiu 4%. Veja o que o mercado não gostou e o plano de R$ 7 bi em dividendos.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Fachada de loja da Vivo com cliente usando o aplicativo da operadora no smartphone e gráfico da VIVT3 ao fundo.
Fachada de uma loja da Vivo com aplicativo da operadora e gráfico financeiro em destaque. Imagem criada com inteligência artificial para o portal Analistas.com.br.

A dona da Vivo teve seu maior avanço de EBITDA em quase três anos e distribuiu bilhões aos acionistas, mas o papel recuou no pregão seguinte. Entenda o que o mercado não gostou.

A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da marca Vivo, reportou lucro líquido de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre de 2026, um crescimento de 17% sobre o mesmo período do ano passado. A receita líquida somou R$ 15,8 bilhões, alta de 7,6%, e o EBITDA chegou a R$ 6,6 bilhões, avanço de 10,9%, o maior crescimento percentual do indicador nos últimos 11 trimestres.

Números fortes, à primeira vista. Mesmo assim, na manhã seguinte à divulgação, as ações VIVT3 chegaram a cair cerca de 4%, entre os piores desempenhos do Ibovespa em um dia positivo para a Bolsa. Por que uma empresa que lucra mais é castigada pelo mercado?

Se o lucro subiu, por que a ação caiu?

A resposta está nas entrelinhas do balanço. O lucro veio praticamente dentro do que os analistas já esperavam, ou seja, sem a surpresa positiva que costuma empurrar o papel para cima. Além disso, parte do bom desempenho operacional teve uma ajuda pontual: a Vivo registrou R$ 202 milhões com a venda de ativos ligados à antiga concessão de telefonia, um ganho que não se repete todo trimestre.

Analistas do Itaú BBA classificaram o resultado como misto, com receita de serviços móveis forte, mas lucro considerado abaixo do ideal quando descontados os efeitos não recorrentes. Vale o registro de que a leitura do mercado não é unânime nem constitui recomendação: parte das casas mantém visão positiva de longo prazo para a companhia, citando a geração de caixa robusta e o retorno ao acionista como pontos fortes. Este texto tem caráter informativo e não é sugestão de compra ou venda.

Onde a Vivo ganhou dinheiro?

O motor continua sendo a telefonia móvel. A receita de serviços móveis alcançou R$ 10,2 bilhões, alta de 6,6%, com o pós-pago respondendo por R$ 8,9 bilhões e já representando 87% do faturamento móvel. A base pós-paga chegou a 73,2 milhões de acessos.

Outros destaques operacionais do trimestre:

  • Aparelhos: a receita com celulares e eletrônicos cresceu 27,8%, para R$ 1 bilhão, e 98,8% dos smartphones vendidos já eram compatíveis com 5G.
  • Cobertura 5G: a rede da Vivo chegou a 978 municípios, alcançando mais de 73% da população.
  • Fibra: a receita da fibra subiu 10,7%, para R$ 2,1 bilhões, com a base conectada atingindo 8,2 milhões de residências e empresas, alta de 11,3%.
  • Convergência: o Vivo Total, que junta serviços fixos e móveis, cresceu 29,4% e já responde por 46,3% dos clientes de fibra.

O churn (taxa de cancelamento) da operação fixa recuou para 1,4%, sinal de que a base de clientes está mais fiel.

E os novos negócios digitais?

A Vivo vem tentando deixar de ser só uma operadora de telecom para virar uma plataforma de serviços. Os negócios digitais já representam 12,2% da receita acumulada em 12 meses.

Nesse guarda-chuva, os serviços financeiros faturaram R$ 433 milhões, alta de 12,8%, e o Vivo Pay já concedeu R$ 1,3 bilhão em crédito pessoal desde o lançamento. Na saúde, a Vale Saúde alcançou 511 mil assinaturas e receita de R$ 126 milhões, um salto de 58,2%. As parcerias de música e vídeo somaram R$ 890 milhões em 12 meses, com 4,9 milhões de assinantes.

Vale a pena pelos dividendos?

Aqui está o ponto que mais interessa a quem busca renda. A Vivo é uma das pagadoras de dividendos mais tradicionais da Bolsa e se comprometeu a distribuir pelo menos R$ 7 bilhões aos acionistas em 2026, o equivalente a no mínimo 100% do lucro líquido do ano.

E a máquina já está rodando: só nos primeiros sete meses de 2026, a companhia repassou R$ 7 bilhões, sendo R$ 3 bilhões em juros sobre capital próprio declarados em 2025 e R$ 4 bilhões via redução de capital, além de declarar outros R$ 2,2 bilhões em JCP neste ano. Aliás, a operadora aprovou recentemente mais R$ 500 milhões em JCP, com data-com em 27 de julho. Para quem ainda se perde nesses termos, vale entender a diferença entre JCP e dividendos, já que eles têm tratamento tributário distinto.

Esse perfil de forte distribuição, somado à disputa acirrada do setor, num momento em que até a rival TIM vira alvo de cobiça, como no movimento da Poste Italiane pela sua controladora, ajuda a explicar por que a ação segue no radar mesmo com o tropeço do dia. O que fica de lição é que, em balanços de empresas maduras como a Vivo, o mercado olha menos para a manchete do lucro e mais para a qualidade dele e para o cheque que vai parar no bolso do acionista.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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