A temporada de resultados do segundo trimestre se concentra em agosto e deve destravar novos proventos. Itaú, Petrobras e Banco do Brasil abrem os números que definem quanto vai pingar na conta do investidor.
Agosto começa com uma agenda ainda enxuta de dividendos já confirmados, mas isso deve mudar rápido. É neste mês que se concentra a temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26), o momento em que as empresas abrem os resultados e anunciam quanto vão distribuir aos acionistas.
Para quem vive de renda passiva ou está montando carteira, é o período mais importante do semestre. Balanço forte costuma vir acompanhado de provento; prejuízo, não. Veja o que já está no radar e o que ainda pode ser anunciado.
Quais dividendos já estão confirmados para agosto?
Alguns pagamentos já têm data marcada. A referência é a "data-com", último dia para ter a ação na carteira e garantir o direito ao provento. Quem compra depois dela recebe apenas as próximas distribuições.
Entre os nomes já confirmados com data-com em agosto:
- Caixa Seguridade (CXSE3) — data-com 03/08, pagamento em 17/08, R$ 0,35 por ação em dividendos
- Bradesco (BBDC3/BBDC4) — data-com 03/08, pagamento em 01/09, JCP de R$ 0,02
- Banestes (BEES3/BEES4) — data-com 03/08, pagamento em 01/09, JCP de R$ 0,03
- M. Dias Branco (MDIA3) — data-com 21/08, pagamento em 30/08, R$ 0,03 por ação
- JHSF (JHSF3) — data-com 28/08, pagamento em 09/09, R$ 0,07 por ação
- Camil (CAML3) — data-com 31/08, pagamento em 09/09, R$ 0,07 por ação
- Itaúsa (ITSA3/ITSA4) e Itaú (ITUB3/ITUB4) — data-com 31/08, JCP de R$ 0,02
A lista tende a crescer bastante ao longo do mês, à medida que as companhias divulgam resultados e aprovam novos proventos.
Por que os balanços do 2T26 mudam o jogo?
A temporada se estende até meados de agosto e traz os pesos-pesados do Ibovespa. As datas mais aguardadas incluem o Itaú Unibanco em 4 de agosto, Petrobras e B3 em 6 de agosto, Bradesco em 5 e Banco do Brasil em 12 de agosto. O Bradesco, aliás, já vinha se mexendo: captou R$ 10 bilhões e antecipou R$ 6,5 bilhões em proventos antes mesmo do balanço.
O motivo do interesse é direto: é o lucro do trimestre que dá base legal para a distribuição. Bancos, petrolíferas e empresas de commodities entram no centro das atenções porque combinam forte geração de caixa com tradição de remunerar acionistas.
A Vale já deu o tom entre as grandes: mesmo com lucro de R$ 6,8 bilhões no 2º trimestre, uma queda de 43%, a mineradora liberou R$ 8,6 bilhões aos acionistas e vai pagar R$ 2,03 por ação em proventos. É o tipo de anúncio que deve se repetir conforme os balanços forem saindo.
Um caso a acompanhar de perto é o da BB Seguridade (BBSE3), que já aprovou cerca de R$ 3,8 bilhões em dividendos. O valor por ação e as datas só saem após o resultado do 2º trimestre, previsto para o início do mês.
No caso da Petrobras, projeções de mercado apontam para pagamento na casa dos bilhões de dólares no trimestre, com rendimento estimado em torno de 3% — número que depende da geração de caixa confirmada no balanço de 6 de agosto.
Atenção à nova regra de imposto sobre dividendos
Há uma mudança importante em vigor neste ano e que pesa no bolso de quem recebe valores altos. A partir de 2026, distribuições acima de R$ 50 mil por mês para pessoa física passaram a ser tributadas em 10%, conforme a Lei 15.270/2025.
Vale lembrar a diferença entre os dois tipos de provento:
- Dividendos — isentos de Imposto de Renda na fonte para pessoa física (respeitado o novo teto mensal)
- JCP (Juros sobre Capital Próprio) — têm retenção de 15% de IR na fonte
Isso ajuda a explicar por que muitos investidores comparam não só o valor bruto anunciado, mas o retorno líquido de cada papel.
O que fica no radar
O primeiro semestre de 2026 já mostrou um mercado generoso: as empresas da B3 distribuíram cerca de R$ 126,7 bilhões em dividendos e JCP entre janeiro e junho, com Petrobras, Vale e Itaú na liderança. Foi um recuo ante o recorde de 2025, mas ainda acima de qualquer primeiro semestre anterior a 2024.
Para agosto, o roteiro do investidor é claro:
- Acompanhar as datas-com para não perder o direito aos proventos já anunciados
- Ficar de olho nos balanços dos grandes bancos e da Petrobras, que costumam destravar as maiores distribuições
- Calcular o retorno líquido considerando a nova tributação e a diferença entre dividendos e JCP
Conforme os resultados forem saindo, a agenda de agosto deve ganhar vários nomes novos. Vale revisitar o calendário ao longo do mês.