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Hapvida (HAPV3) foi o maior erro da história da Squadra; gestora reduz posição a 1%

Squadra classifica Hapvida (HAPV3) como maior erro de investimento de sua história, reduz posição para cerca de 1% e aposta em Nubank, Meli e elétricas.

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Por Fundador e Editor-chefe · Publicado em
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Hapvida (HAPV3) foi o maior erro da Squadra; gestora reduz posição

Gestora com cerca de R$ 16 bilhões sob gestão admite erros na tese de Hapvida e muda suas principais apostas para Nubank, Mercado Livre, Equatorial e Energisa.

A Hapvida (HAPV3) ganhou nesta segunda-feira, 24 de agosto, uma avaliação que dificilmente passa despercebida pelo mercado.

A Squadra Investimentos, uma das gestoras mais conhecidas do país, classificou o investimento na operadora de saúde como o “maior erro de investimento” de sua história.

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Depois das perdas acumuladas com HAPV3, a gestora reduziu drasticamente sua exposição à companhia e passou a manter aproximadamente 1% dos fundos investidos na ação.

A mudança ocorre em um momento especialmente difícil para Hapvida, que enfrenta queda de rentabilidade, aumento do endividamento, pressão regulatória e forte desvalorização de suas ações.

Enquanto diminui a aposta em HAPV3, a Squadra passou a destacar quatro empresas em sua carteira:

Nubank, Mercado Livre, Equatorial e Energisa.

Onde a Squadra diz que errou com Hapvida?

Segundo a gestora, o problema não foi apenas o comportamento da ação na Bolsa.

A Squadra reconheceu erros em diferentes partes da análise da empresa.

Entre eles estão o preço pago pelas ações, as perspectivas consideradas para o negócio e, principalmente, a avaliação da capacidade da administração de executar a integração das operações adquiridas pela Hapvida.

A integração ganhou enorme importância depois da fusão entre Hapvida e NotreDame Intermédica.

A combinação criou uma gigante da saúde suplementar brasileira, mas também trouxe desafios operacionais significativos.

Na avaliação atual da Squadra, a deterioração dos resultados, o endividamento e os problemas de execução acabaram tornando a tese muito mais difícil do que a gestora esperava.

Posição em HAPV3 cai para cerca de 1%

A consequência foi uma forte redução da posição.

Segundo a carta repercutida nesta segunda-feira, a exposição da Squadra a Hapvida caiu para aproximadamente 1% dos fundos.

A gestora ainda identifica possíveis caminhos para destravar valor, como venda de ativos e simplificação da estrutura do grupo.

O problema é atravessar o período atual.

A Squadra considera que endividamento elevado e deterioração operacional aumentam significativamente o risco da companhia.

E os números recentes ajudam a explicar essa preocupação.

Lucro da Hapvida caiu 95,8%

No segundo trimestre de 2026, a Hapvida registrou lucro líquido ajustado de apenas R$ 12,5 milhões.

Um ano antes, o lucro ajustado havia sido de aproximadamente R$ 299,5 milhões.

A queda foi de 95,8%.

O Ebitda ajustado também apresentou forte deterioração, recuando 44,3%, para R$ 504,4 milhões.

A receita líquida, por outro lado, cresceu 3,9% e chegou a aproximadamente R$ 8 bilhões.

Ou seja, a Hapvida conseguiu aumentar receita, mas encontrou dificuldade muito maior para transformar esse crescimento em resultado.

A margem Ebitda ajustada caiu para 6,3%.

Dívida também aumentou

Outra preocupação está no balanço.

A dívida líquida encerrou o segundo trimestre em aproximadamente R$ 5,4 bilhões.

A alavancagem financeira ficou em 1,61 vez, contra 0,95 vez um ano antes.

Esse aumento ocorre justamente em um momento de menor geração de resultado operacional.

É uma combinação que naturalmente chama atenção do mercado.

Quanto menor a geração de caixa e maior a dívida, mais difícil se torna executar uma recuperação sem pressionar investimentos, venda de ativos ou outras decisões estratégicas.

HAPV3 desabou depois do balanço

O mercado reagiu violentamente aos resultados.

Em 13 de agosto, no primeiro pregão completo após a divulgação do balanço, HAPV3 caiu 33,09%, de R$ 9,58 para R$ 6,41.

Foi uma das maiores quedas de uma ação relevante do Ibovespa em 2026.

O Analistas já havia acompanhado anteriormente movimentos extremos de HAPV3 e os sinais de alerta envolvendo a companhia em uma análise sobre a reação das ações da Hapvida após balanços.

Nesta segunda-feira, 24, o papel continuava pressionado. Às 14h10, HAPV3 era negociada a R$ 6,41, em queda de 1,99% no dia.

ANS também virou problema para Hapvida

O balanço trouxe ainda outro ponto delicado.

A Hapvida informou que estava revisando uma parcela relevante de sua carteira de contratos.

A revisão envolve aproximadamente 947 mil beneficiários, cerca de 11% da base da empresa.

Esses contratos apresentam baixa rentabilidade, inadimplência ou necessidade de reajustes considerados relevantes pela companhia.

A informação chamou atenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Na quinta-feira, 20 de agosto, o órgão chegou a suspender preventivamente reajustes e cancelamentos relacionados a esses contratos.

No dia seguinte, após uma reunião com representantes da Hapvida, a ANS retirou a medida cautelar.

A empresa poderá continuar as negociações, mas a agência afirmou que pretende acompanhar o processo de perto.

E para onde a Squadra está indo?

A parte mais interessante da carta talvez não seja apenas a saída de Hapvida.

É o destino do dinheiro.

A Squadra destacou como principais apostas:

  • Nubank
  • Mercado Livre
  • Equatorial
  • Energisa

A estratégia é procurar empresas que sofreram quedas expressivas e nas quais, segundo a análise da gestora, o mercado estaria exagerando determinados riscos.

Squadra mudou completamente de opinião sobre Nubank

O caso mais curioso é o Nubank.

Depois do IPO da fintech, a Squadra mantinha uma posição vendida, ou short, apostando na queda das ações.

A gestora dizia reconhecer a qualidade do negócio, mas considerava o preço alto demais e as expectativas do mercado excessivamente otimistas.

Agora aconteceu uma inversão.

A Squadra fechou a posição vendida e transformou Nubank em uma de suas principais posições compradas.

O Analistas acompanha de perto essa transformação do banco digital e mostrou recentemente que o Nubank comprou o Banco Porto Real para avançar em sua estrutura bancária no Brasil.

O site também mostrou que David Vélez entrou no conselho da OpenAI pouco depois da movimentação bancária.

Mercado Livre também entra entre as maiores apostas

Outra grande posição é o Mercado Livre.

A Squadra acredita que o mercado pode estar penalizando excessivamente a companhia pelo impacto dos investimentos em frete grátis e pela pressão sobre as margens.

O Mercado Livre reduziu o valor mínimo para compras com frete grátis no Brasil e passou a investir agressivamente para competir no segmento de produtos mais baratos.

Segundo a análise da gestora, a estratégia já ajudou o Meli a acelerar as vendas em categorias nas quais a Shopee vinha crescendo mais rapidamente.

O Analistas também acompanha a expansão logística da companhia e já mostrou um investimento de R$ 449 milhões em um novo galpão destinado ao Mercado Livre.

Equatorial e Energisa completam a carteira

A Squadra também aumentou significativamente sua exposição ao setor elétrico.

Equatorial (EQTL3) e Energisa (ENGI11) aparecem entre as principais posições.

A gestora considera que as empresas continuaram aumentando resultados e valor operacional enquanto suas ações ficaram pressionadas por juros elevados.

No caso da Energisa, a Squadra calcula um retorno real implícito próximo de 16% ao ano e potencial de valorização superior a 50%, considerando as premissas utilizadas pela própria gestora.

Essas projeções representam a visão da Squadra e não constituem recomendação do Analistas.

Fundos da Squadra perderam para o Ibovespa

A Hapvida também deixou marcas no desempenho da própria gestora.

No primeiro semestre de 2026:

Squadra Long-Biased: -5,1%

Squadra Long-Only: -6,2%

No mesmo período, o Ibovespa avançou 6,8%.

A própria gestora descreve o período como um momento ruim de desempenho.

E HAPV3 está no centro dessa avaliação.

O que acontece agora com Hapvida?

A Hapvida tenta executar uma reestruturação operacional com três objetivos especialmente importantes:

  1. recuperar margens;
  2. gerar caixa;
  3. reduzir a alavancagem.

Ao mesmo tempo, precisa lidar com judicialização, custos médicos elevados, revisão da carteira de contratos e monitoramento da ANS.

A empresa ainda possui uma operação enorme e aproximadamente milhões de beneficiários, o que significa que mudanças relativamente pequenas em preços, custos ou sinistralidade podem produzir impactos relevantes no resultado.

O mercado, entretanto, quer evidências.

Depois de uma queda de quase 96% no lucro ajustado e de uma desvalorização superior a 30% da ação em um único pregão, promessas de recuperação tendem a receber um grau maior de ceticismo.

A declaração da Squadra simboliza essa mudança.

Uma gestora que durante anos esteve entre os investidores relevantes da companhia agora classifica Hapvida como o maior erro de investimento de sua história e reduziu drasticamente sua exposição.

Para HAPV3, talvez essa seja a fotografia mais clara de quanto a confiança do mercado se deteriorou.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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