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Justiça bloqueia R$ 135 milhões após Rioprevidência perder 90% em fundo ligado ao Master

Justiça do Rio bloqueia até R$ 135,2 milhões após fundo do Rioprevidência, ligado ao Master e concentrado em Ambipar, perder cerca de 90%.

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Por Fundador e Editor-chefe
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Justiça bloqueia R$ 135 milhões após prejuízo do Rioprevidência em fundo ligado ao Banco Master.
Imagem ilustrativa criada com inteligência artificial para o Analistas.com.br representa o bloqueio judicial de recursos relacionado ao prejuízo do Rioprevidência.

Decisão da Justiça do Rio atinge empresas e executivos citados em ação que tenta recuperar recursos aplicados pelo fundo previdenciário dos servidores estaduais no Texas I FIA, concentrado em ações da Ambipar.

A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de até R$ 135,2 milhões em bens e ativos de empresas e executivos citados em uma ação movida pelo Estado do Rio e pelo Rioprevidência. O processo busca recuperar o prejuízo causado por um investimento de R$ 150 milhões no fundo de ações Texas I FIA, ligado a instituições do conglomerado do Banco Master.

A ordem foi assinada pelo juiz Wladimir Hungria, da 5ª Vara da Fazenda Pública da capital fluminense, e alcança a Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a Axor Asset e os executivos Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues. O bloqueio cautelar pode chegar ao valor exato de R$ 135.151.313,54.

O Rioprevidência é a autarquia responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. A decisão não representa uma condenação definitiva: trata-se de uma medida preventiva para preservar patrimônio que poderá ser utilizado em um eventual ressarcimento ao fundo previdenciário.

Aporte de R$ 150 milhões caiu para menos de R$ 15 milhões

O Rioprevidência realizou uma sequência de aportes no Texas I FIA em 2025, concluída em agosto daquele ano. Segundo os dados apresentados na ação, foram investidos R$ 150 milhões, mas o saldo da aplicação caiu para aproximadamente R$ 14,85 milhões após a forte desvalorização dos ativos da carteira.

A diferença corresponde a uma perda estimada de R$ 135,15 milhões, ou cerca de 90,1% do valor originalmente aplicado.

A carteira estava exposta quase integralmente às ações da Ambipar Participações e Empreendimentos, negociadas na B3 pelo código AMBP3. A B3 identifica a Ambipar como uma companhia listada no Novo Mercado, enquanto documentos da própria empresa e da CVM confirmam o ticker AMBP3.

Registros públicos da Comissão de Valores Mobiliários identificavam, em julho de 2024, a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários como administradora do Texas I FIA e a Axor Asset como gestora do fundo.

O que a ação diz sobre as compras de Ambipar

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio sustenta que houve uma compra coordenada de ações da Ambipar por fundos relacionados à operação. A acusação é de que essas aquisições teriam criado demanda artificial pelos papéis antes de as cotas do Texas I FIA serem oferecidas ao Rioprevidência.

Na decisão, o juiz apontou indícios que precisam ser investigados e mencionou a possibilidade de gestão temerária, especialmente devido à concentração de um volume elevado de recursos públicos em um único ativo. O magistrado também considerou a hipótese de o aporte ter sido utilizado para sustentar artificialmente o preço das ações.

Esses pontos fazem parte das alegações apresentadas no processo e ainda serão submetidos ao contraditório e à análise definitiva da Justiça. O bloqueio patrimonial tem natureza cautelar e busca impedir que eventuais responsáveis se desfaçam de bens antes do encerramento da ação.

Trustee nega participação no investimento

A Trustee afirmou que deixou a administração e a gestão do Texas I FIA em outubro de 2024, cerca de oito meses antes do ingresso do Rioprevidência no fundo. A empresa também declarou que não vendeu cotas à autarquia, não participou da decisão de investimento e não administrava o fundo quando os aportes foram realizados.

A instituição informou que pretende recorrer da decisão. A Folha relatou que não conseguiu localizar representantes da Axor Asset e que a defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, não havia respondido até a publicação da reportagem.

Justiça determina auditoria no Texas I FIA

Além do bloqueio de bens, a decisão determinou que o responsável pela Master Corretora apresente, no prazo de 15 dias, um parecer elaborado por auditoria externa independente sobre o Texas I FIA.

A Justiça também busca obter informações detalhadas sobre as movimentações do fundo e as negociações de ações da Ambipar, incluindo compradores, vendedores, volumes, preços e beneficiários finais das operações.

A apuração deverá esclarecer quem administrava efetivamente o fundo em cada período, como as cotas foram oferecidas ao Rioprevidência e de que maneira os recursos públicos foram direcionados para uma carteira altamente concentrada.

Caso se conecta à crise do Banco Master

O Banco Central decretou, em 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master e da Master Corretora. Segundo o BC, a medida foi motivada pela crise de liquidez do conglomerado, pelo comprometimento de sua situação econômico-financeira e por violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

O processo envolvendo o Texas I FIA integra um conjunto mais amplo de medidas adotadas pelo Estado do Rio para recuperar recursos do Rioprevidência. Em julho de 2026, a PGE-RJ ajuizou três ações relacionadas a perdas estimadas em R$ 641,4 milhões em fundos vinculados ao Grupo Master, entre eles o Texas I FIA e o fundo Revolution.

As medidas cautelares solicitadas nessas ações somam aproximadamente R$ 616,6 milhões. No caso específico do Texas I FIA, o bloqueio concedido pela Justiça corresponde ao prejuízo calculado entre o valor investido e o saldo remanescente.

Rioprevidência passou a ter novas regras de transparência

Desde maio de 2026, uma lei estadual passou a exigir que o Rioprevidência publique relatórios semestrais detalhados sobre suas aplicações em fundos de investimento. A norma prevê a divulgação das instituições e dos fundos receptores, dos valores aplicados, das taxas cobradas, dos riscos e da rentabilidade das carteiras.

A legislação também determina parecer técnico formal e aprovação do Conselho de Administração para operações que ultrapassem limites de materialidade definidos em regulamento.

O avanço do processo judicial deverá mostrar se o bloqueio será suficiente para preservar recursos capazes de compensar a perda e quais empresas ou administradores poderão ser responsabilizados. Até uma decisão final, as acusações permanecem sob análise da Justiça.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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