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Mercado Financeiro

Resumo do dia: guerra derruba a Bolsa, petróleo mira US$ 100 e a Alphabet acelera

O Ibovespa caiu nesta quinta com a escalada no Mar Vermelho e o petróleo perto de US$ 100. Alphabet elevou capex em US$ 15 bi. Veja o resumo do dia.

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Por Fundador e Editor-chefe
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Resumo do mercado financeiro desta quinta-feira
Resumo do mercado financeiro desta quinta-feira

A escalada no Mar Vermelho dominou os mercados nesta quinta-feira. O Ibovespa devolveu parte da alta da véspera, o dólar interrompeu três quedas seguidas e o petróleo se aproximou dos US$ 100. Fora isso, teve balanço de Carrefour, Embraer em Londres e a China apertando a carne brasileira.

Depois de um pregão de forte alta na quarta-feira, o mercado brasileiro voltou a ceder nesta quinta-feira (23), arrastado pela aversão a risco global. O gatilho foi a escalada no Oriente Médio, com um novo elemento que preocupa diretamente o mercado de energia.

O mercado no fechamento

Indicador Fechamento (23/07) No dia
Ibovespa cerca de 176,7 mil pts queda em torno de 0,5%
Dólar à vista R$ 5,0839 interrompeu três quedas seguidas
S&P 500 7.499 pts em baixa
Petróleo próximo de US$ 100 em alta

1. A guerra chegou ao Mar Vermelho

O fato que moveu os mercados foi militar, não econômico. Milícias houthis atacaram dois navios-tanque no Mar Vermelho, ampliando os riscos para o fornecimento global de energia num momento em que o Estreito de Ormuz já estava comprometido.

A combinação é o pesadelo do mercado de petróleo: as duas principais rotas de escoamento sob ameaça ao mesmo tempo. O barril reagiu e se aproximou da marca psicológica dos US$ 100, acumulando alta expressiva no mês. É o risco geopolítico que vem redesenhando as decisões de investimento em 2026.

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2. O tarifaço na Expert XP: "guerra política, não comercial"

Com a sobretaxa de 25% dos Estados Unidos já em vigor, o tema dominou os painéis da Expert XP, evento do mercado financeiro que acontece em São Paulo até sábado (25).

A avaliação do chefe de macroeconomia da ASA e ex-secretário do Tesouro, Jeferson Bittencourt, foi direta: não se trata de uma guerra comercial, e sim política. É uma leitura que muda o cálculo de quem tenta prever o desfecho, porque disputas políticas não seguem a lógica de custo e benefício econômico.

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3. Alphabet acelera e mostra que a IA não desacelerou

No exterior, o destaque foi a Alphabet, dona do Google. A empresa reportou o melhor trimestre de crescimento da história de sua divisão de computação em nuvem, impulsionada pela demanda de empresas por inteligência artificial.

E respondeu com investimento: elevou a previsão de capex para 2026 em US$ 15 bilhões, passando a projetar entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões, contra os US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões informados no trimestre anterior.

O número importa além da empresa. Depois do susto do modelo chinês Kimi K3, que derrubou as ações de chips na semana passada, havia dúvida sobre se as big techs manteriam o ritmo de gastos em IA. A resposta da Alphabet foi aumentar a aposta.

4. China aperta a carne brasileira

No agro, o dado do dia veio de Pequim: o Brasil já utilizou 80% da cota de exportação de carne bovina para a China. Ao contrário do que circulou em redes sociais, não há uma nova taxa: existe uma salvaguarda de dezembro, válida para todos os exportadores, que cobra 55% adicionais apenas sobre o volume acima do limite.

O impacto, porém, já é real: o setor projeta perder até US$ 4,5 bilhões em faturamento neste ano, com férias coletivas e redução de abates já em curso.

5. Empresas: o que mexeu

Carrefour divulgou o resultado do semestre com lucro de € 30 milhões sobre vendas de € 43,78 bilhões, uma margem de apenas 0,07%. O CEO classificou o Brasil como mercado ainda complexo. → leia

Embraer encerrou sua participação no Farnborough Airshow com acordos que podem chegar a 88 aeronaves, além de contrato de manutenção para 271 jatos nos Estados Unidos. O maior comprador foi o Grupo Abra, dono da GOL e da Avianca. → leia

Vale teve novo capítulo na crise de governança: horas depois de perder a disputa pela presidência do conselho, Marcelo Gasparino foi alvo de decisão de destituição por vazamento de informações, medida que ainda depende dos acionistas.

Suzano informou que não prevê novos projetos de expansão após investir R$ 70 bilhões em cinco anos, virando a chave do ciclo de obras para o de geração de caixa. → leia

Nas prévias do segundo trimestre, o Safra projeta resultados positivos para Motiva, Movida, Localiza e Vamos, e números ligeiramente negativos para Randoncorp e Iochpe-Maxion, pressionadas por volumes e despesas financeiras. Para a Mills, a expectativa é de resultado neutro.

O que fica no radar

A sexta-feira (24) traz o encerramento do Farnborough Airshow, que ainda pode render anúncios de defesa da Embraer, e a continuidade da Expert XP em São Paulo. No exterior, o mercado seguirá monitorando o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz, que definem o preço do petróleo e, por consequência, o humor global.

E há uma data se aproximando: 31 de julho, quando vence a isenção de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e o biodiesel, num momento em que o barril flerta com os US$ 100.

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Escrito por Fundador e Editor-chefe

Muniz é o fundador e editor-chefe do portal Analistas. Empreendedor digital e especialista em tecnologia voltada para o mercado financeiro, é o desenvolvedor por trás de plataformas de dados como o Ações Capital. Lidera a visão editorial e a infraestrutura tecnológica do Analistas, unindo entrega de cotações em tempo real e rigor analítico para democratizar a informação no mercado brasileiro.

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