A bolsa devolveu os ganhos da semana e acompanhou o tombo de Nova York, num dia marcado pela decisão do Fed, pela disparada do petróleo e pelo balanço fraco do Santander. O dólar, porém, cedeu.
O Ibovespa encerrou esta quarta-feira (29) em queda de 1,52%, aos 173.885,34 pontos, devolvendo boa parte da alta acumulada nos últimos pregões. O movimento acompanhou o mau humor de Wall Street, num dia dominado pela decisão de juros nos Estados Unidos, pela volta da tensão no Oriente Médio e por um balanço decepcionante no setor bancário.
Na contramão da bolsa, o dólar recuou e voltou a rondar os R$ 5,10. A moeda americana perdeu força globalmente, o que ajudou o real mesmo em um dia de aversão a risco por aqui.
O que pesou no pregão?
Três fatores puxaram o mercado para baixo:
O primeiro veio de fora. Como já era amplamente esperado, o Fed manteve os juros dos EUA entre 3,5% e 3,75%, na quinta reunião seguida sem mudança. A decisão em si não surpreendeu, mas o tom de cautela e o silêncio do banco central americano sobre os próximos passos deixaram os investidores desconfortáveis. Em Nova York, as bolsas caíram, com destaque para a pressão sobre as ações de tecnologia, às vésperas dos balanços de Microsoft e Meta.
O segundo foi o petróleo. Depois de alguns dias de trégua, os preços voltaram a disparar, com o Brent subindo quase 6% diante de novos ataques entre Estados Unidos e Irã. A escalada geopolítica reacende o temor de inflação global e adiciona volatilidade aos mercados.
O terceiro veio de casa. O Santander (SANB11) abriu a temporada dos bancões com um resultado fraco: lucro em queda no segundo trimestre e rentabilidade em baixa. As ações despencaram mais de 6% e contaminaram o humor com o setor financeiro, um dos mais pesados do índice.
Teve espaço para boas notícias?
Sim, e ela veio da maior estatal do país. A Petrobras (PETR4) subiu mais de 2% após anunciar produção recorde no segundo trimestre, com 3,336 milhões de barris por dia. O desempenho ajudou a segurar parte das perdas do índice e manteve viva a expectativa de dividendos gordos no balanço do dia 6 de agosto.
Fora da bolsa, o dia também trouxe alento para a indústria brasileira: a Embraer (EMBR3) fechou a venda de mais oito jatos E190-E2 para a japonesa ANA, reforçando sua carteira de pedidos recorde.
O que fica no radar
A atenção agora se volta para casa. Na próxima semana, nos dias 4 e 5 de agosto, é a vez do Banco Central brasileiro decidir a Selic, hoje em 14,25% ao ano. Depois de um IPCA-15 abaixo do esperado e de um Focus mostrando a inflação recuando semana após semana, o mercado aposta na continuidade do ciclo de cortes, com a taxa caminhando para 14% até o fim do ano.
No curto prazo, dois fios seguem desencapados: a trajetória do petróleo, refém da guerra no Oriente Médio, e os balanços das gigantes de tecnologia lá fora, que podem ditar o humor das bolsas nos próximos dias. Por aqui, a temporada de resultados dos bancões continua e promete movimentar o pregão.
Fechamento referente à quarta-feira, 29 de julho de 2026. Dados de mercado sujeitos a revisão.