A Bolsa perdeu os 176 mil pontos no primeiro pregão após o corte de juros, pressionada pelos balanços dos grandes bancos e pela queda em Nova York. O dólar, na contramão, recuou e fechou na casa dos R$ 5,10.
O Ibovespa fechou esta quinta-feira (6) em baixa de 1,23%, aos 175.546 pontos, devolvendo parte dos ganhos recentes e escorregando para baixo dos 176 mil pontos. O pregão foi de digestão da decisão do Copom e de repercussão da temporada de balanços, num ambiente também pressionado pela queda das bolsas de Nova York.
No câmbio, porém, o movimento foi de alívio. O dólar à vista caiu 0,44% e encerrou o dia cotado a R$ 5,105, seguindo em torno da faixa dos R$ 5,10, um dos menores patamares das últimas semanas.
A ressaca do Copom e os bancos
O dia foi o primeiro depois de o Banco Central cortar a Selic para 14% ao ano, no quarto corte seguido. Como a decisão já era esperada, o foco dos investidores se voltou ao tom cauteloso do comunicado, que evitou prometer novos cortes, e isso ajudou a limitar o humor.
O maior peso, no entanto, veio dos bancos. Mesmo depois de o Bradesco (BBDC4) reportar um forte lucro de R$ 7 bilhões, no décimo trimestre seguido de alta, a ação caiu perto de 2%, num movimento de "realização de lucros". O clima contagiou o setor: Banco do Brasil (BBAS3) recuou mais de 3,5% e Itaú (ITUB4) cedeu 1,3%. Como os bancos têm grande peso no índice, essa queda puxou o Ibovespa para baixo. A Vale (VALE3) também pesou, caindo mais de 1,5% com o minério de ferro mais fraco.
Os destaques do dia
Fora do índice principal, um negócio chamou a atenção. As ações da Brava Energia (BRAV3) caíram quase 5%, num dia agitado para a empresa: a colombiana Ecopetrol anunciou a compra de uma fatia de 25% da companhia por R$ 2,67 bilhões, e a Brava ainda divulgou seu balanço trimestral, em linha com o esperado.
Entre as maiores altas, apareceram a Droga Raia (RADL3), que saltou quase 6%, e a Braskem (BRKM5), que subiu 3%. Já na ponta negativa, além dos bancos, a SmartFit (SMFT3) despencou mais de 7% e a Hapvida (HAPV3) recuou após balanço. A Petrobras (PETR4), que teve leve alta no dia, ficou no centro das atenções por divulgar seus resultados após o fechamento do mercado.
O que fica no radar
A grande referência de amanhã será internacional: os Estados Unidos divulgam o payroll, o relatório de emprego que é um dos dados mais importantes para o humor global e para os rumos dos juros americanos. As tensões no Estreito de Ormuz também seguem no radar, influenciando o petróleo.
Por aqui, o balanço da Petrobras, divulgado nesta noite, deve movimentar o papel na sexta. E o mercado seguirá calibrando suas apostas para a trajetória da Selic, tentando adivinhar se o Banco Central fará novos cortes nas próximas reuniões. Depois de um dia de correção, a expectativa é de um pregão de ajustes, à espera dos números de emprego dos Estados Unidos.
Fechamento referente à quinta-feira, 6 de agosto de 2026. Dados de mercado sujeitos a revisão.