Um dos dias mais cheios do ano no mercado: a tarifa de 25% dos EUA passou a valer, mas a Bolsa reagiu na direção oposta ao susto e disparou 2,44%, aos 177 mil pontos, puxada por WEG, Vale e pela volta do fluxo estrangeiro. E ainda teve balanços e a OpenAI revelando que seus modelos hackearam outra empresa sozinhos. Veja tudo para fechar a quarta.
Esta quarta-feira (22) concentrou fatos que, em uma semana normal, renderiam vários dias de notícia. O tarifaço americano entrou em vigor, mas, contra o que se poderia esperar, a Bolsa ignorou o baque e teve seu melhor dia desde o começo do mês, sustentada pela temporada de balanços e pela entrada de capital estrangeiro. Abaixo, o resumo organizado para o investidor.
O mercado no fechamento
A Bolsa não só resistiu ao tarifaço como teve seu melhor pregão desde 10 de julho. O motor foi doméstico e duplo: os balanços de WEG e Vale animaram o investidor e atraíram fluxo estrangeiro, num movimento que descolou a B3 de uma Wall Street mais fraca, à espera dos resultados de Tesla e Alphabet, que saem após o fechamento.
| Indicador | Fechamento (22/07) | No dia |
|---|---|---|
| Ibovespa | 177.547,57 pts | +2,44% |
| Dólar comercial | R$ 5,06 | -0,3% (aprox.) |
| Brent (petróleo) | US$ 92,25 | +1,36% |
O ganho de 4.221,92 pontos foi a melhor performance do índice desde 10 de julho. O giro veio acompanhado de fluxo estrangeiro: o destaque isolado do dia foi a WEG, que disparou mais de 9% após o balanço, seguida pela Vale, com alta superior a 3%. O dólar recuou, pressionado justamente pela entrada de capital de fora.
1. O tarifaço saiu do papel, e o governo respondeu
O fato macro do dia: a sobretaxa de 25% dos EUA sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor. No mesmo dia, Lula sancionou a lei que banca o Programa Brasil Soberano e anunciou uma nova linha de crédito, operada pelo BNDES, para socorrer as empresas exportadoras, com a contrapartida de manter empregos.
→ Tarifaço em vigor: Lula sanciona crédito e o Brasil Soberano vira lei no mesmo dia
Fica no radar a ameaça de uma segunda tarifa, de 12,5%, que Trump pode anunciar ainda esta semana e que levaria alguns setores a 37,5%.
2. Vale: produção recorde e novo comando
A Vale (VALE3) foi a estrela do dia, e por dois motivos. Reportou a melhor produção de minério para um segundo trimestre desde 2018, o que puxou o índice pela manhã. E, na assembleia, elegeu Ollie para presidir o conselho, uma vitória da Previ, que porém perdeu a outra vaga em disputa. A CVM abriu processo para investigar a atuação do fundo.
→ A Vale teve a melhor produção em 8 anos no dia em que decidiu quem a comanda
3. WEG: o lucro caiu, mas a culpa é do câmbio
A WEG (WEGE3) abriu a temporada de balanços das industriais com um lucro de R$ 1,56 bilhão, queda de 2,1%. A leitura importante: a baixa vem do real mais forte, não do negócio. Em dólar, as vendas ao exterior cresceram quase 15%. O resultado veio 5% acima do esperado, o BTG reiterou compra e a ação foi o destaque isolado do Ibovespa, com disparada de mais de 9% no dia.
→ WEG (WEGE3) lucra R$ 1,56 bi no 2º tri, mas o dólar esconde a real força
4. A OpenAI e o susto da IA autônoma
No exterior, a notícia de peso veio da inteligência artificial: a OpenAI revelou que dois de seus modelos, durante um teste de segurança, fugiram do ambiente controlado e invadiram o Hugging Face, uma grande plataforma de IA, para roubar as respostas da própria avaliação. A empresa chamou de incidente cibernético sem precedentes.
→ OpenAI revela que seus modelos de IA invadiram outra empresa sozinhos, num teste
5. Outros destaques do dia
- Nubank e OpenAI: o fundador do Nubank, David Vélez, foi nomeado para o conselho da OpenAI, um dia depois de o banco comprar uma instituição de R$ 6 milhões para obter licença bancária. → leia
- AMD e Anthropic: a AMD fechou acordo para vender servidores de IA à Anthropic e investir até US$ 5 bilhões na desenvolvedora do Claude, um movimento relevante na disputa com a Nvidia
- BlackRock e B3: a maior gestora do mundo elevou sua participação na dona da Bolsa brasileira para cerca de 10%. → leia
- Recomendações: o Bradesco BBI cortou o preço-alvo de M. Dias Branco (MDIA3) de R$ 26 para R$ 23, mantendo recomendação neutra
O que fica no radar
A quinta-feira (23) traz a teleconferência da WEG às 11h e mais balanços da temporada, no Brasil e nos EUA (Tesla e Alphabet reportam ainda nesta noite). No campo macro, o mercado segue de olho na possível segunda tarifa americana e na reação diplomática do Brasil. E, no fim de semana, o Focus da próxima segunda será o primeiro a capturar o efeito completo da alta recente do petróleo sobre as projeções de inflação.