A trégua entre Estados Unidos e Irã derrubou o petróleo e afundou a Petrobras, mas a queda dos juros futuros e a disparada da Embraer sustentaram a Bolsa no azul nesta segunda-feira (27).
O Ibovespa fechou esta segunda-feira, 27 de julho, em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos, resistindo a um dia de forte queda do petróleo. O dólar comercial, por outro lado, subiu 0,62% e encerrou cotado a R$ 5,113 na venda.
O grande motor do dia veio de fora: a pausa nos ataques dos Estados Unidos ao Irã acalmou o mercado global e fez o preço do petróleo despencar. O Brent chegou a recuar mais de 8%, para a casa dos US$ 88 o barril, o que aliviou os temores de inflação e ajudou a puxar os juros futuros para baixo em toda a curva, um combustível e tanto para as ações. O movimento já vinha sendo desenhado desde cedo, quando o dólar abriu perto de R$ 5,08 com o petróleo em queda após a pausa nos ataques ao Irã.
Por que a Petrobras puxou o freio de mão
Se a queda do petróleo é boa notícia para a inflação, ela cobra seu preço no caixa das petroleiras. A Petrobras (PETR4) foi a ação mais negociada do pregão e fechou em queda de cerca de 2,7%. As petroleiras menores sofreram ainda mais: PRIO (PRIO3) e Petrorecôncavo (RECV3) caíram mais de 4% em vários momentos do dia, acompanhando o tombo das cotações internacionais.
Quem salvou o pregão
Com a Petrobras no vermelho, o azul do índice veio de outras frentes:
- Embraer (EMBJ3): o grande destaque, com disparada de mais de 5%, embalada pela carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões que garante receita da empresa até 2030.
- Varejo: Americanas (AMER3) saltou mais de 8% e Magazine Luiza (MGLU3) avançou mais de 4%, favorecidas pela expectativa de juros mais baixos.
- Bancos: Santander (SANB11), Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) fecharam em alta e deram sustentação ao índice.
- Frigoríficos e construtoras: MBRF3 subiu quase 6% e as construtoras, sensíveis a juros, tiveram um dia forte.
E a inflação, como fica?
A boa notícia veio confirmada pela manhã. O Boletim Focus mostrou que o mercado cortou a projeção de inflação para 2026 pela quarta semana seguida, com o IPCA esperado recuando de 5,15% para 5,12%. A projeção para a Selic no fim do ano, no entanto, seguiu firme em 14%.
No noticiário corporativo, um dos assuntos do dia foi a Vale (VALE3), que oscilou e terminou próxima da estabilidade depois de confirmar que Marcelo Gasparino renunciou ao conselho de administração após o caso de vazamento de informações.
O que fica no radar
Lá fora, as bolsas de Nova York fecharam mistas, com Dow Jones em leve alta e Nasdaq no vermelho, à espera dos balanços das gigantes de tecnologia. Mas o grande evento da semana está marcado para quarta-feira (29): a decisão de juros do Federal Reserve, com o mercado atribuindo cerca de uma chance em três de uma alta. O resultado deve ditar o humor dos próximos pregões e o rumo do dólar.