A prévia da inflação veio bem abaixo do esperado e destravou o pregão: a bolsa subiu 0,70% e renovou o otimismo com corte de juros. O dólar, na contramão, avançou.
O Ibovespa encerrou esta terça-feira (28) em alta de 0,70%, aos 176.564,75 pontos, um ganho de 1.230,29 pontos no dia. O combustível veio da prévia da inflação: o IPCA-15 de julho subiu apenas 0,06%, muito abaixo da alta de cerca de 0,19% que o mercado projetava.
Foi o tipo de número que anima quem opera bolsa. Uma inflação mais fraca reforça a aposta de que o Banco Central tem espaço para seguir cortando a Selic, hoje em 14,25% ao ano, o que barateia o crédito e tende a puxar as ações para cima. Os juros futuros (DIs) recuaram em toda a curva ao longo do dia.
O dólar, porém, foi na direção oposta. A moeda americana comercial fechou em alta de cerca de 0,20%, cotada a R$ 5,12, ainda dentro da faixa em que vem oscilando nas últimas semanas.
Por que o IPCA-15 mexeu tanto com o mercado?
A prévia da inflação é uma espécie de "termômetro antecipado" do IPCA cheio, o índice oficial. Quando ela desacelera com força, o mercado lê como sinal de que a pressão sobre os preços está cedendo.
E os detalhes reforçaram a leitura positiva. O grande responsável pela freada foi a comida: o grupo de alimentação e bebidas caiu 0,66% no mês, com destaque para quedas expressivas em itens do dia a dia como tomate, batata e café. Do outro lado, o que mais pressionou foi a conta de luz, com a energia elétrica residencial subindo 3,03%.
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 está em 4,52%, abaixo dos 4,80% do período anterior. Um alívio, ainda que o índice siga acima do centro da meta. Os dados são do IBGE, órgão oficial responsável pela medição.
Essa também não foi uma surpresa isolada. O boletim Focus mostrou queda nas projeções de inflação pela quarta semana seguida, reforçando a tendência de melhora no cenário de preços.
Como foi o pregão lá fora?
O ambiente externo ajudou. Em Nova York, o Dow Jones subiu 1,03% e o S&P 500 avançou 0,25%. A exceção foi a Nasdaq, que recuou 0,22%, pressionada por uma nova onda de cautela com as ações ligadas à inteligência artificial, no mesmo dia em que a Apple se tornou a segunda empresa a valer US$ 5 trilhões.
No radar corporativo brasileiro, a temporada de balanços seguiu movimentada, com atenção especial para o que a Petrobras deve distribuir de dividendos no 2º trimestre, estimado pelo mercado em US$ 2,5 bilhões.
O que fica no radar para os próximos dias
A grande atração agora está do lado de fora. Nesta quarta-feira (29), o Federal Reserve, o banco central americano, anuncia sua decisão de juros. A expectativa majoritária é de manutenção da taxa, mas o tom do comunicado pode agitar bolsas, câmbio e até criptomoedas. Para entender o efeito, vale conferir como a decisão do Fed pode mexer com o Bitcoin.
Por aqui, o mercado seguirá calibrando as apostas para o ritmo dos próximos cortes da Selic. Depois de um IPCA-15 tão camarada, a pergunta deixou de ser "se" o BC vai cortar e passou a ser "quanto" e "por quanto tempo". Para quem quer comparar com o fechamento anterior, veja o resumo do pregão de segunda-feira.
Fechamento referente à terça-feira, 28 de julho de 2026. Dados de mercado sujeitos a revisão.